GENEBRA (Notícias da OIT) – O Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia, fez um apelo em favor de um novo paradigma político que promova o crescimento inclusivo com alto coeficiente de emprego para os quase 75 milhões de jovens, entre 15 e 24 anos, que estão desempregados no mundo.
Somavia, que participou do painel “Evitar uma geração perdida” durante o Foro Econômico Mundial em Davos, no dia 27 de janeiro, disse que a crise de emprego juvenil atingiu dimensões sem precedentes e intoleráveis. Hoje em dia quatro de cada dez desempregados no mundo são jovens.
O Diretor-Gera da OIT assinalou que o motor principal desta crise de emprego juvenil é a diminuição da demanda agregada em nível mundial e, em alguns casos, em nível nacional. Afirmou que é o momento de concentrar-se em estratégias que favoreçam o emprego juvenil, o que ajudará a sustentar o consumo, estimular a demanda, promover o crescimento e criar mais empregos.
Este deve ser um objetivo não somente da agenda dos governos, mas também das empresas e do setor privado, disse Juan Somavia, e acrescentou que a primeira limitação que as pequenas e médias empresas têm para contratar jovens é a dificuldade de acesso ao crédito.
O Diretor-Geral da OIT também se referiu ao papel decisivo da educação e da formação, sobretudo em tempos de crise, e disse que os governos deveriam trabalhar conjuntamente com o setor privado a fim de reduzir o desajuste de competências. Alguns Diretores Executivos de empresas, que participaram do debate em Davos comentaram as dificuldades que enfrentam para cobrir certos postos de trabalho, apesar dos altos níveis de desemprego existentes.
Juan Somavia citou a Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suiça e Noruega, países que oferecem sistemas de aprendizagem combinando educação na escola com a formação nas empresas, como exemplos a seguir.
Destacou também a necessidade de oferecer incentivos dirigidos a promover o emprego juvenil, como por exemplo subsídios à contratação de jovens, bolsas para formação e reconversão profissional, e serviços para facilitar a transição ao trabalho, incluindo orientação profissional, contatos reais com as empresas e assessoria sobre como preparar uma entrevista de trabalho.
Além disso, fez um apelo em favor da promoção da iniciativa empresarial entre os jovens e das associações entre os serviços públicos de emprego e as agências privadas.
Alguns programas públicos de emprego demonstraram sua eficácia na hora de oferecer trabalho e proteção social aos jovens que vivem na pobreza e, ao mesmo tempo, criar infraestruturas de pequena escala para incrementar a produtividade nas economias desfavorecidas (por exemplo, a Ata Nacional de Garantia de Emprego Rural na Índia e os Programas ampliados de obras públicas na África do Sul, Etiópia, Quênia e Mali).
Segundo Juan Somavia, os trabalhadores jovens de todo o mundo perderam a confiança no paradigma atual. A economia mundial simplesmente não está funcionando para eles. Este desencanto se reflete de muitas maneiras, em particular nas manifestações de jovens que tiveram lugar durante os últimos meses em cerca de 1.000 cidades em 82 países.
A necessidade de trabalhos decentes, de justiça social, de dignidade, por um lado, e a raiva contra as desigualdades e a cobiça, por outro lado, estiveram na linha de frente destes protestos e podem gerar uma maior instabilidade política e social, assinalou Juan Somavia. Para reformar as políticas atuais é necessária uma transformação real, acrescentou.