| |
Informações
Agenda
ARTIGOS
22/04/2006
Dimensões da produtividade do trabalho na América Latina
OIT apresenta importante estudo sobre a produtividade do trabalho na região. A publicação “Dimensões da produtividade do trabalho nas empresas da América Latina. Um estudo comparativo...” é fruto de um projeto de investigação mais amplo patrocinado pelo Escritório Regional da OIT para América Latina e Caribe, no qual se apresenta uma discussão geral sobre a produtividade no trabalho na região e reúne uma síntese comparada de quatro estudos nacionais. Argentina, Costa Rica, México e Peru.
DANIEL MARTÍNEZ - Diretor Regional da OIT para as Américas
Na América Latina, a preocupação em diminuir o índice de pobreza e elevar o nível de vida de seus habitantes tem sido uma constante das últimas décadas. Durante os anos 90 se pensou que a liberalização dos mercados e a flexibilidade nas políticas econômicas gerariam um desenvolvimento que seria refletido imediatamente na qualidade de vida da população. Entretanto, não foi assim. Lamentavelmente, se comprovou que o desenvolvimento econômico assim alcançado não implicava, por exemplo, em empregos de melhor qualidade e, consequentemente, o nível de vida dos cidadãos em vez de melhorar, piorou.
A realidade impôs uma nova reflexão e uma análise mais profunda dos fatores que incidem positivamente no impulso real do bem-estar da população latino-americana. O autor deste livro, Juan Chacaltana, sustenta que uma das formas mais efetivas consiste em estimular a produtividade do trabalho na região, por que a chave se encontra em como se relaciona o âmbito da produção com o do emprego. Esta é uma perspectiva que não tem sido comumente considerada, por isso a publicação desta investigação se mostra especialmente importante e inovadora. Se a produtividade trabalhista se entende como a relação entre o produzido e os insumos necessários para essa produção, nosso estudo se foca na perspectiva microeconômica da empresa, especificamente, nos fatores e elementos na produtividade do trabalho das empresas latino-americanas.
Nesta análise foi constatado que o índice do produto por trabalhador não melhorou de maneira significativa nas últimas décadas na América Latina, apesar do desenvolvimento econômico da década de 90, e explica, por exemplo, que os mercados de trabalho na região produzem baixos resultados. Do mesmo modo, se tem enfrentando à dificuldade de que praticamente não existem bases de dados que permitam explorar o que ocorre no interior das empresas latino-americanas no que se refere à produtividade no trabalho e aos pontos específicos sobre o fomento à produtividade, sua medição e a distribuição dos lucros gerados a partir de uma melhor produtividade. Assim, sendo esta uma variável que repercute tão diretamente no crescimento econômico de um país, não se conta com informação suficiente que permita estudar detalhadamente problemas como o déficit de trabalho decente, condições de trabalho não adequadas e a baixa competitividade internacional da maioria dos estabelecimentos da região. Por estas dificuldades, a análise se centrou nas empresas médias e grandes, principalmente industrial e, assim, no trabalho formal.
Esta análise da região latino-americana se enriquece consideravelmente com a publicação, em um CD-Rom que acompanha a versão impressa, dos estudos por países da produtividade no trabalho. Para isso, foram escolhidos quatro países nos quais se podia realizar essa investigação por contarem com bases de dados que permitiram sua elaboração e graças aos quais se realizou o estudo comparativo. Os países selecionados foram Argentina, México, Panamá e Peru.
Na Argentina, a investigação esteve a cargo de Héctor Szretter. Neste estudo se realiza uma análise do custo do trabalho e a produtividade, assim como sua influência no custo do trabalho por unidade de produto; da evolução da produtividade do trabalho e das principais fontes de que depende de forma geral; e de dois elementos fundamentais que incidem na produtividade: a inovação tecnológica e as relações de trabalho, representadas pela negociação coletiva e outros temas.
O estudo mexicano esteve a cargo da equipe formada por Leonard Mertens, Flor Brown e Lilia Dominguez. Neste trabalho se deu ênfase especial a análise da dimensão intangível das características do ambiente de trabalho como fator determinante da produtividade. É uma análise qualitativa na qual a capacidade de gerar nova tecnologia e conhecimentos por parte das próprias empresas se entende como os componentes mais importantes para a otimização da produtividade no trabalho.
O trabalho sobre o Panamá foi realizado por Aristides Hernández. Seu objetivo foi o estudo dos fatores que determinam a produtividade no trabalho como os custos do trabalho, a competitividade e produtividade das empresas, e as relações de trabalho refletidas nas convenções coletivas de trabalho que apóiam a produtividade de seus trabalhadores. A partir dessa avaliação, se propõem políticas de produtividade e competitividade para o longo prazo.
No Peru, o trabalho foi realizado pelo autor do livro, que também foi o coordenador de toda a investigação, Juan Chacaltana. Nesta investigação, o autor identifica como o principal problema para a economia do país a baixa produtividade da mão de obra que tem como conseqüência direta a restrição da competitividade do país e, também, empregos não decentes. Para isso foram analisados temas como o panorama do mercado de trabalho no Peru, os conceitos de custos do trabalho e competitividade, e o conceito de produtividade, todos aplicados ao caso peruano.
É evidente a importância decisiva da reflexão sobre a produtividade para o crescimento econômico da América Latina e sua conseqüente relação com um melhor nível de vida para sua população. Com a realização destas investigações e a publicação de seus resultados, a OIT busca contribuir para a reflexão sobre o tema e participar ativamente no processo de desenvolvimento para a região.
« voltar
|
BUSCA
|