2007-04-05
Folha de São Paulo
Globalização afeta trabalho, diz Fundo
O Panorama Econômico Mundial, do FMI, também adverte sobre as conseqüências negativas que a globalização pode ter sobre o mercado de trabalho mundial.
DE NOVA YORK
De acordo com o Fundo, nas últimas duas décadas o contingente de mão-de-obra quadruplicou, tanto devido ao crescimento da população quanto como conseqüência da maior integração das economias chinesa, indiana e do Leste Europeu ao comércio internacional. Até 2050, estima, pode ainda dobrar.
Os países desenvolvidos têm acesso a esse contingente de três formas: pela importação de produtos finais, pela terceirização da fabricação de bens em outros lugares e pela imigração -esta última é mais relevante nos Estados Unidos.
Se o fenômeno trouxe importantes dividendos para as nações mais ricas e fez aumentar a renda dos trabalhadores -já que cresceram as oportunidades de exportação, e a produtividade foi favorecida pelo barateamento dos insumos e pela maior eficiência dos processos de fabricação-, fez com que caísse a participação dos rendimentos advindos do trabalho no PIB dos países.
Em média, a queda foi de sete pontos percentuais desde 1980. Mas a globalização é apenas um dos motivos para isso -as rápidas mudanças tecnológicas tiveram um papel ainda mais significativo.
Para maximizar os benefícios da globalização sobre o mercado de trabalho, o FMI recomenda que ele seja aprimorado.
"Políticas que reduzam o custo da mão-de-obra e facilitem o trânsito dos empregados de áreas da economia que estão em estagnação para outras em ascensão poderiam ajudar nesse ajuste", bem como melhorar o acesso a educação e a programas de treinamento e reciclagem, escreveu o Fundo no texto divulgado ontem.