Promovendo o Trabalho Decente

Na América Latina e Caribe há 7 milhões de jovens desempregados

A OIT faz um apelo para a geração de mais e melhores empregos  depois de uma crise que deixou mais de 600.000 desempregados entre 15 e 24 anos
LIMA (Notícias da OIT) – Na América Latina e no Caribe os jovens foram as principais vítimas de uma crise de emprego que deixou um rastro de desemprego e informalidade, disse hoje a OIT ao mostrar a necessidade de que sejam tomadas medidas que ajudem a recuperação econômica e produzam novas oportunidades para as pessoas entre 15 e 24 anos.
"O desemprego urbano da região afeta 7 milhões de pessoas jovens", disse o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Jean Maninat, ao participar de um fórum da União Europeia - América Latina e Caribe sobre Coesão Social que ocorre em Lima, e é dedicado ao desafio de discutir o trabalho decente para a juventude.

Maninat acrescentou que " tudo parece indicar que os jovens jovens foram mais afetados pela crise que acabamos de viver durante o ano passado." Segundo estimativas da OIT, como resultado da crise, cerca de 600.000 jovens somaram-se às filas de desemprego.

A OIT apresentou um documento de atualização sobre o relatório "Trabalho Decente e Juventude" (ver link abaixo) para a reunião a ser realizada na capital peruana, com a participação de Ministros do Trabalho e vice-ministros de ambos os continentes, e representantes de organizações internacionais e organizações sociais.

O documento disse que a região tem 104 milhões de jovens, e que:

 34% dos jovens somente estudam 
 33% dos jovens só trabalham
 13% dos jovens estudam ou trabalham
 20% dos jovens não estudam nem trabalham

Além disso, o documento afirma que, segundo os dados disponíveis, entre aqueles que   trabalham apenas 10% têm um contrato estável, 35,1% têm seguro de saúde, e 32,5% estão matriculados em um sistema de pensões.

"Estes números são reveladores e preocupantes", disse Maninat durante o Fórum e advertiu que as evidências do elevado desemprego e informalidade deixam claro que "o trabalho decente para a juventude é uma questão em aberto que já existia desde antes da crise."

"Estamos enfrentando um desafio político",  acrescentou o representante da OIT, que considera particularmente preocupante a proporção de 20% dos jovens que não estudam nem trabalham. "Quando há desespero e frustração entre estes jovens isso não só compromete o futuro, mas se torna mais difícil a estabilidade de nossas sociedades e até mesmo a representatividade e a governabilidade democráticas”.

A OIT disse que o desemprego durante a crise poderia ter sido maior, mas a taxa foi contida, em parte, porque não houve um aumento na taxa de participação laboral, devido à decepção experimentada por muitos trabalhadores diante da impossibilidade de  encontrar emprego. "As principais vítimas do desalento foram os jovens", disse Maninat.

O estudo da OIT disse que os dados recolhidos até agora indicam que na maior parte  da região diminuiu a taxa de participação dos jovens no mercado de trabalho, enquanto que a dos que tem mais de 25 anos geralmente se manteve estável.

"Após a crise, a situação é urgente. Agora, temos de investir na criação de emprego a mesma vontade política e engenho que foi usado para salvar o sistema financeiro ", disse o Diretor Regional da OIT.

Ele lembrou que a OIT tem disponibilizado para países um Pacto Global para o Emprego, aprovado por representantes de governos, empregadores e trabalhadores, que contém um conjunto de medidas para permitir a recuperação econômica capaz de  produzir mais e melhores empregos.

"Quase todas as medidas preconizadas no Pacto Global tem uma influência significativa sobre a situação dos jovens", concluiu Maninat.

O Fórum da UE - ALC sobre coesão social, que termina em Lima na quarta-feira, pretende promover o intercâmbio de experiências e gerar uma série de recomendações relacionadas com a promoção do trabalho decente para a juventude.

Leia a atualização do documento Trabalho Decente e Juventude

10.02.2010

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